Para que seja oferecido recondionamento físico aos pacientes com câncer e/ou sobreviventes, é muito importante entendermos as abordagens adotadas nos tratamentos desta moléstia. A maioria dos pacientes afetados pelo câncer são operados. A cirurgia pode ser de mínimo porte (exemplo: retirada pequenas lesões de pele) ou extensa (exemplo: remoção de grande porções do intestino). Estima-se que 50% dos pacientes se submeterão a radioterapia que pode ser aplicada antes ou após a cirurgia, de forma isolada ou associada à quimioterapia. Tipo, periodicidade e frequência da radioterapia variam dependendo do diagnóstico e de cada paciente. Usualmnete, o paciente é orientado a comparecer no local onde é realizado o tratamento por 5 vezes (5 aplicações) por semana, por (x) semanas. A maioria dos pacientes também recebe quimioterapia nas suas formas oral e/ou injetável, em ciclos definidos pelos oncologistas. O tipo e a duração dos tratamentos são individualizados e podem ter a duração de poucos meses ou de períodos bem reduzidos, dependendo do tipo, do comportamento da neoplasia, e, finalmente dos medicamentos utilizados. Terapias hormonais também podem ser adotadas no câncer de mama e no câncer de próstata: por medicamentos ou por procedimentos cirúrgicos (no câncer de mama, retirada dos ovários - denominada ooforectomia; no câncer de próstata, retirada dos testículos - denominada orquiectomia). Finalmente, existe uma grande e crescente variedade de agentes que agem de modo específico contra determinados alvos celulares (denominada terapia-alvo. Exemplo: trastuzumabe - Herceptin - um anticorpo monoclonal que é utilizado em pacientes com câncer de mama portadoras do receptor HER-2). Sempre importante enfatizar que as terapias contra o câncer passam por modificações frequente ao longo do tempo.
Para se avaliar a tolerância aos exercícios e mesmo poder indicar um programa efetivo e seguro, os profissionais especializados em educação física devem estar familiarizados com o diagnóstico e com os tratamentos recebidos por cada paciente. Importante que estes profissionais levem em conta o estado de saúde - antes do diagnóstico do câncer - de cada paciente. A compreeensão dos tratamentos recebidos após o diagnóstico da moléstia permitem rever os segmentos corpóreos afetados de modo adverso que pode resultar em efeitos negativos no treinamento e na tolerância aos exercícios.
Os efeitos adversos do tratamento oncológico podem ser imediatos, com resolução em dias ou meses e, também, podem ser persistentes com duração de anos após término do tratamento. Efeitos colaterais de longo prazo indicam complicações que se iniciam durante ou pouco depois do tratamento e persistem tardiamente. Para estes, os pacientes devem ser compensados com exercícios e orientações. Efeitos tardios se distinguem dos efeitos de longo prazo, pelo fato de aparecerem meses ou anos após os tratamentos (exemplo: arritmia ou cardimiopatia após exposição a agentes cardiotóxicos). São efeitos tardios dos tratamentos do câncer, com implicações negativas relevantes para o condicionamento físico através da prática de exercícios. Exemplos: alterações cardiovasculares, musculares, nervosas, endócrinas, e imunológicas. Deve ser enfatizado que para os efeitos adversos persistentes após tratamento do câncer, podem existir fatores prédisponentes, incluindo: idade, sexo, e outras condições ou comorbidades que podem interagir de modo sinérgico com os efeitos adversos do tratamento. Em artigos a serem publicados, serão apresentados consensos na indicação de exercícios adequados para cada tipo de câncer.